Olá queridos!
Continuando as comemorações pelo aniversário de 2 anos do blog, completados no dia 17, segue mais uma entrevista com esse ótimo escritor brasileiro de fantasia e ficção: Gerson Lodi-Ribeiro. Mandei as perguntas por e-mail e vou publicar aqui da forma como foram enviadas.
Eu li o seu livro "Aventuras do Vampiro de Palmares" para o Clube de Leitura Vórtice Fantástico e achei muito bom. Falei dele aqui.
Eu li o seu livro "Aventuras do Vampiro de Palmares" para o Clube de Leitura Vórtice Fantástico e achei muito bom. Falei dele aqui.
Nessa entrevista, o escritor dá dicas preciosas para quem gosta de escrever e pretende publicar um livro. Se é o seu caso, não deixe de ler. E mesmo que não seja, não perca, pois a entrevista está incrível!
Como esse mês é aniversário do blog, quem quiser marcadores do blog, basta mandar um e-mail para andreia.borges777@gmail.com com endereço que eu envio. Ok?
Como esse mês é aniversário do blog, quem quiser marcadores do blog, basta mandar um e-mail para andreia.borges777@gmail.com com endereço que eu envio. Ok?
Um pouquinho sobre o autor:
Gerson Lodi-Ribeiro publicou as noveletas na Asimov’s brasileira: “Alienígenas Mitológicos” e “A Ética da Traição”. Autor das coletâneas Outras Histórias...; O Vampiro de Nova Holanda; Outros Brasis; Taikodom: Crônicas e As Melhores Histórias de Carla Cristina Pereira, e dos romances Xochiquetzal: uma Princesa Asteca entre os Incas; A Guardiã da Memória, Aventuras do Vampiro de Palmares e Estranhos no Paraíso. Criador do universo ficcional Taikodom. Antologista de Phantastica Brasiliana; Como Era Gostosa a Minha Alienígena!; Erótica Fantástica 1; Vaporpunk; Dieselpunk; Solarpunk, Super-Heróis e Dinossauros.
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| Foto enviada pelo escritor |
Vamos à entrevista:
MV: Qual o seu nome completo e quantos livros você já publicou?
Gerson Lodi-Ribeiro: Sou Gerson Lodi-Ribeiro. Escritor e antologista de literatura fantástica atuante nos gêneros da ficção científica e da história alternativa. Publiquei cinco coletâneas de ficção curta e quatro romances, Xochiquetzal: uma Princesa Asteca entre os Incas (2009); A Guardiã da Memória (2011); Aventuras do Vampiro de Palmares (2014); e Estranhos no Paraíso (2015). Como antologista, organizei Phantastica Brasiliana (2000); Como Era Gostosa a Minha Alienígena! (2002); Vaporpunk (2010); Dieselpunk (2011); Solarpunk (2012); Erótica Fantástica 1 (2012); e Super-Heróis (2013). Então, dezesseis livros ao todo.
Graças a um punhado de fãs e estudiosos abnegados, maiores detalhes sobre meus trabalhos podem ser encontrados em meu verbete na Wikipédia.J
MV: Quais são as suas inspirações na hora de escrever?
GL-R: As inspirações surgem o tempo todo, das maneiras mais diversas e inesperadas, como frutos espontâneos do convívio com outras pessoas, das experiências do dia a dia, dos livros que eu leio, dos filmes que assisto, dos diálogos que procuro estabelecer com as narrativas, reais e ficcionais, que me impressionam, e das tentativas de responder certas questões, algumas sérias, outras nem tanto, mas, de todo modo, questões que despertam minha curiosidade.
Um exemplo? Vamos lá: se uma borboleta possuísse a capacidade intelectual de um ser humano, será que ela se lembraria da época em que viveu como lagarta? Ao explorar essa indagação, na tentativa de respondê-la, acabei escrevendo o romance de ficção científica erótica A Guardiã da Memória.
Outro? E se a única maneira de a humanidade enfrentar um conflito interestelar contra uma civilização alienígena mais antiga, sábia e poderosa do que nós fosse nos tornarmos cada vez mais parecidos com esses alienígenas hostis? Para responder essa questão que me atormentava há anos, escrevi o romance Simbiontes, concluído um mês atrás.
Há ainda as inspirações que surgem do desejo de mostrar uma cena ou narrativa qualquer que você sempre quis ler ou assistir na ficção alheia, mas que os outros autores nunca escreveram. Ora, se ninguém contou ainda essa história que eu quero escutar, quem sabe, a única saída não será eu próprio escrevê-la?
MV: Existe alguma técnica para escrever bem?
GL-R: Há diversos métodos disponíveis no mercado para um autor aprimorar a qualidade do seu texto. Há as clássicas receitas de bolo, How-To-... <preencha aqui a técnica específica que o autor deseja adquirir>, é claro, mas a verdade é que não existe solução fácil e mágica. Um músico precisará de anos de estudo e ensaios até se tornar um virtuose. Um atleta necessitará de milhares de horas de preparo e treinamento para atingir o nível de competição profissional. Sabemos que escrever é a arte mais simples. Pois todos nós sabemos escrever e contar histórias é parte integrante do que faz de nós seres humanos. No entanto, escrever minimamente bem exige alguma prática. O autor precisa exercitar sua escrita diariamente, ler bastante os contos e romances que outros autores escreveram antes dele sobre o tema e gênero em que ele pretende se exercitar (isto evitará que ele, por ignorância, tente inventar a roda outra vez, só que quadrada). Além disso, o autor precisa cultivar as virtudes da humildade, da paciência e da persistência, para lidar com as críticas e rejeições que constituem parte do ofício. Mas, acima de tudo, o autor deve ser apaixonado pela atividade literária. Porque, com quase toda a probabilidade, ele não se enriquecerá materialmente com ela. A atividade literária roubará do autor tempo precioso que poderia ser mais bem investido no convívio com a família e os amigos. Por que escrever, então? Ora, porque, por outro lado, o ato de escrever pode se transformar em paixão e, mais do que isto, tornar-se tão necessário quanto respirar. Nesse ponto, a escrita deixa de ser o que o autor faz e se torna o que o autor é.
MV: Você tem um carinho especial por algum de seus livros ou para um escritor todos os livros são como filhos, em que não há preferidos?
GL-R: Tenho carinho especial por todos os livros que escrevi. Carinhos diferentes em ocasiões diversas. Todos eles me trazem boas lembranças. Todos eles me ajudaram a fazer de mim o ser humano que sou hoje. De maneira geral, quanto mais trabalho um texto exige — desde a concepção da primeira ideia crucial, a centelha que acenderá a fogueira da narrativa, até a publicação — maior o carinho que sinto por ele. Porque essas ideias e personagens passaram muito tempo, às vezes décadas, fermentando em meus neurônios. Os universos ficcionais que estabeleci para alguns conjuntos de narrativas tornaram-se tão detalhados a ponto de eu considerar os protagonistas deles como grandes amigos. Neste sentido, é lógico que sou mais apaixonado por meus romances do que pelos contos que escrevi e mais sentimental em relação às coletâneas em que reuni meus contos do que em relação às antologias que organizei com contos de outros autores.
No entanto, o filho predileto é sempre o trabalho que estou escrevendo no momento. Até porque, neste instante, ele é o que mais precisa da presença do pai.
MV: O que você recomenda para quem gosta de escrever, mas ainda não teve coragem de expressar isso para o público? Alguma dica?
GL-R: Essa pergunta traz à baila aquele velho ditado, “se conselho fosse bom...”. Mas, enfim, há dicas que constituem lugares-comuns, mas que, mesmo assim, precisam ser repetidas de tempos em tempos, para que os autores, principiantes e veteranos, não as esqueçam nunca e, mais do que isto, mantenham-nas sempre presentes ecoando em seus espíritos.
Perseverança diante das dificuldades.
Paixão e conhecimento sobre o que você escreve.
Exercício contínuo para aprimorar as qualidades do seu texto. Revisar diversas vezes aquele trabalho que você já considera pronto e perfeito, antes de submetê-lo à publicação. A cada nova revisão, você melhorará um pouco mais o texto que já considerava definitivo.
E, sobretudo, coragem para submeter seus escritos (que, afinal, são as expressões mais íntimas e pessoais do seu ego e personalidade, certo?) à apreciação de terceiros frios e insensíveis na expectativa, quase certa e inexorável, de que eles serão rejeitados (porque não vale a pena ser excessivamente otimista e, como autor, você precisa desenvolver uma persistência de couro-de-rinoceronte, para continuar submetendo trabalhos, não importa o número de rejeições), para que as críticas, inclusive a de leitores-beta, melhorem a qualidade do seu trabalho.
Para concluir com um truísmo barato: seja estreante, novato ou veterano, as rejeições são um fato da vida. Elas virão, mas não precisam ser encaradas como derrotas. Não? Lógico que não. O autor só é derrotado quando desiste de sua arte enquanto ainda há paixão.
Achei a entrevista incrível! O escritor Gerson deu ótimas dicas sobre a arte de escrever. Estou adorando essas entrevistas, pois estou aprendendo muito com elas. Espero que vocês também tenham gostado!
Recomendo muito os livros desse autor!















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