Olá queridos!
Li esses dois ótimos contos desses dois autores maravilhosos, também.
Ambos se passam em rios e possuem uma temática parecida. Como são curtos, é difícil não dar algum spoiler, então já me desculpo de antemão.
O primeiro conto é extraído do livro Primeiras Estórias e o segundo, de Estórias Abensonhadas.
No conto "A Terceira Margem do Rio", o pai encomendou uma canoa, que teve que ser toda fabricada, se despediu da família e ficou a navegar pelas águas do rio, sem dar qualquer explicação.
"Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para. estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram, tomaram juntamente conselho." (Trecho do conto).
O conto tem como narrador um dos filhos, que fica sempre na margem do rio a observar para tentar ver o pai. O conto se passa durante muitos anos da vida do narrador até o seu amadurecimento.
Toda a narrativa do filho é muito interessante e tocante. Acho que podemos dar várias interpretações para a história. Uma das principais são as metáforas, pois se trata da partida do pai de um lar. O navegar no rio pode significar muitas coisas, como renovação, transformação, entre outras coisas.
O conto engloba todas as perturbações que se passam nas mentes da esposa e dos filhos, a busca por explicações ( Sair da zona de conforto? Espírito aventureiro?), fala de busca de perdão entre pai e filho, também.
O pai ficar ali nas águas do rio, sem querer sair para nada, também dá ensejo a muitas interpretações, pois no início do conto o narrador fala que o pai sempre foi ordeiro e quieto, a mãe comandava. A construção da canoa e o remar podem significar a sua busca pelo comando, pela independência, entre outras coisas. A sua atitude de abandono total das coisas também pode simbolizar a loucura.
O conto é aberto para muitas interpretações.
Em "Nas Águas do Tempo", o conto narra as aventuras de um avô e seu neto em um barquinho no rio.
O narrador é o neto, mas a narrativa é intercalada com diálogos da mãe do menino e do avô.
O conto é cheio de simbolismos e de metáforas.
"Olhei a margem e não vi ninguém. Mas obedeci ao
avô, acenando sem convicções. Então, deu-se o espantável:
subitamente, deixámos de ser puxados para o
fundo. O remoinho que nos abismava se desfez em
imediata calmaria. Voltámos ao barco e respirámos os
alívios gerais. Em silêncio, dividimos o trabalho do regresso." (trecho do conto)
O conto fala de tempo e para isso o autor utiliza como figuras centrais um menino e seu avô, simbolizando vida e morte, nascimento e transformação.
No rio, o avô ensina várias lições para o seu neto, como aceitar a passagem do tempo e a morte, através de metáforas.
O conto é belíssimo! Mia Couto realmente escreve de forma poética!
Esse conto também é aberto a muitas interpretações, assim como o de Guimarães Rosa, o que os torna muito interessantes.
Recomendo!
















Muito bom, Andreia. Estes dois contos são meus favoritos. São realmente profundos e alimentam boa conversa.
ResponderExcluirObrigada, Antônio. Vocês do clube de leitura me indicam livros e contos muito interessantes, como esses. Realmente, esses dois contos rendem muitos debates. Bjs
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